Terreiro Senhor do Bonfim de Apolinário Gomes da Mota: uma fotoetnografia da ritualística Congo em Recife

Sinopse:
A figura do pai de santo Apolinário Gomes da Mota (1888-1973), um dos babalorixás mais longevos e respeitados do Recife, tem aqui demonstrada sua conexão com pelo menos três campos de interesse: a história do desenvolvimento da antropologia entre nós, a história da religião e a história da presença africana em Pernambuco. Dividida entre a reflexão antropológica e o resgate documental dessa efígie perdida, essa fotoetnografia é um documento precioso tanto ao pensamento e à disciplina antropológica quanto aos olhos e à memória, à cultura em sentido irrestrito.
As imagens trazem vislumbres da ritualística, mas também contam da própria trajetória do Terreiro Senhor do Bonfim, o terreiro de Apolinário: dos fechamentos promovidos pelo Estado até a participação do babalorixá na seleta comissão que ordenaria o surgimento de terreiros na capital, passando por ocasiões como sua presença na recepção ao escritor Albert Camus, ou como a reunião de mais de 5 mil pessoas na sede do seu terreiro, no bairro de Casa Amarela, no dia do seu sepultamento, antes do cortejo sob chuva. Além de discussões relevantes do ponto de vista da disciplina, é lembrado, por exemplo, seu papel como informante das missões folclóricas de Mário de Andrade e como uma das fontes utilizadas por Roger Bastide em suas obras. Os traços congo em sua ritualística são dado igualmente importante para a compreensão das correntes que formaram a cultura dos terreiros entre nós.
Autoria:
Silvana Sobreira Matos, Roberta Bivar Carneiro CAmpos, Pedro Germano e Fabiana Gama Pereira. A obra, publicada pela Editora UFPE, pode ser adquirida na secretaria do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) ou na secretaria do Departamento de Antropologia e Museologia (DAM), ambos localizados no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), no campus Recife.